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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

E 2014 foi assim...

Acreditamos que já é um pouco tarde para fazer uma retrospectiva, no entanto, parando para refletir vimos que era importante mostrar o quanto 2014 foi um ano revolucionário no nosso campus quando o assunto  é o debate sobre sexualidade e gênero. 
Primeiro porque foi o ano que o coletivo Mandala, assim como uma a fênix, ressurgiu das cinzas e retomou suas atividades (depois de anos parado). Logo no primeiro semestre começamos nossas sessões de desabafoneys e fizemos nosso primeiro cartaz: 


Com inicialmente apenas quatro pessoas todas as quartas nos reuníamos para debater sobre nossas vidas gays (risos). E foram durante essas reuniões que nosso coletivo deliberou por organizar a Semana do Orgulho LGBT*.  Segue algumas foteenhas lindaaas *--*:






Infelizmente a semana não foi só de flores e algumas pessoas manifestaram seu ódio destruindo nossos cartazes ou realizando rabiscos, como esse aqui: 

"Semana do orgulho VTNC (Vai tomar no cu)." Muitos de nós adoramos mesmo. Obrigadx. De nada. 


Aliás, infelizmente essa não foi a única ação homofóbica do ano. No cartaz que o pessoal do DCE e do DA fizeram pedindo para que os estudantes se manifestassem sobre as melhoras que queriam na Universidade, outro ser cheio de ódio rabiscou nossa intervenção pedindo por MAIS homofobia, segue a foto:

"Sofro tanto com a heterofobia, já até apanhei nas ruas por ser ht". 

No segundo semestre nossas reuniões mudaram de horário e local. Com a conquista da salinha do movimento estudantil resolvemos ocupar o espaço e deixa-lo mais colorido. 


E o segundo semestre começou com tudo! Organizamos a Semana da Visibilidade Lésbica e o UFSColor II - Saindo do Armário. 












Porém, durante a Semana da Visbilidade Lésbica ocorreu novamente um caso de homofobia, no caso mais especificadamente de lesbofobia.  


"Material gratuito de fapagem".  E você continuara só na punheta, ser escroto!


E dias apareceu uma intervenção grotesca nas paredes da área de vivência pedindo "morte aos gays". Daí não aguentamos mais e organizamos um beijaço!


Porém nada tirou o brilho do Simpósio que ajudamos a construir e que de quebra continuou com a programação da Semana do Orgulho LGBT (colar de beijos prxs inimigxs). 




Para a promoção da nossa nobre causa confeccionamos lindos bottons para vender (compre um você também). 



Por fim, mas não menos importante, o coletivo ajudou na construção do 1ºInterbixas! (E (re)descobrimos que não temos vocação pros esportes. 


Enfim, consideramos 2014 um ano revolucionário e será só o primeiro de muitos! O nosso coletivo voltou para ficar e já temos várias ideias para esse  2015 que mal conhecemos, mas que tem tudo para ser O ano da diversidade. :) 
















quarta-feira, 23 de julho de 2014

Resposta a muuuita coisa..

Oi, gente! Recebam com muito carinho as boas-vindas ao blog do Coletivo Mandala.
Fui convidada a escrever o primeiro post aqui do blog e, apesar da responsabilidade, achei que veio em um bom momento.

A verdade é que depois de participar da organização da Semana Trans e de gravar os vídeos o Diário de Caique eu me sinto mais preparada para responder certos ataques de pessoas que não entendem muito bem as lutas pela liberdade de gênero e de orientação afetivo-sexual. Alguns me questionam qual o motivo de não poderem ter orgulho hétero, outros me criticam com o argumento de que ao denunciar páginas machistas e homofóbicas, tiro a sua liberdade de expressão - que eu tanto defendo..

Senhoras e senhores, peguem suas xícaras de café, que vou respondê-los agora!

Orgulho hétero 
Quando falamos em orgulho LGBT* e criamos eventos e ações para colocar esse orgulho em evidência, estamos falando de uma minoria que sofre preconceito e é discriminada em sua expressão. Falamos de adolescentes que se sentem errados no mundo e que algumas vezes não encontram forma melhor de resolver seu "problema" além do suicídio. Falamos de jovens que sentem carinho por pessoas que - supostamente - são as pessoas "erradas" pra se amar, de jovens que se identificam com um corpo ou com uma expressão do corpo que seria considerado "errado" pelo resto do mundo. Falamos de jovens adultos em Universidades que não podem encontrar um par na festa ou na balada sem sentir medo de sofrer alguma agressão (física ou verbal). Jovens adultos que não podem levar seus cônjuges a festas e eventos sem sentir o mesmo medo. Jovens adultos que não podem revelar seus cônjuges, que não podem amá-los em público. Falamos de adultos que não têm segurança nem garantia de assumir seu cônjuge no trabalho sem ser demitido. De adultos que, após complicados procedimentos e tratamentos, finalmente conseguem se expressar e ter o corpo com que sempre se identificaram e ainda assim encontram impasses burocráticos e discriminatórios. Falamos de adultos que perderão conforto, empregos e direitos constitucionais devido a essa condição.

Quando falamos em orgulho hétero, porém, falamos de pessoas que não passam nem passaram por nenhum tipo destes problemas. E que não têm nada de "errado" neles (a não ser, talvez, esse discurso em defesa do orgulho hétero).

Se joga, pintosa!
Então, amigos, quando estimulamos que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais levantem sua voz para dizer ORGULHO DE SER LGBT*, é porque é algo muito muito difícil de se fazer. Nós, que o fazemos, arcamos com duras consequências! Temos conversas indelicadas com nossos pais, corremos o risco de fazer com que se sintam decepcionados. Sentimos medo de passar por uma abordagem escrota de um bêbado qualquer em alguma festa da Universidade, corremos o risco de fazer com que colegas de classe passem a nos ignorar. Às vezes perdemos empregos. E há casos em que passamos por tanta opressão (coisas que a maioria considera inofensiva) e somos privados de tantas "coisinhas pequenas" que se torna inviável (ou melhor: impossível!) continuar morando em casa, estudando em tal lugar ou trabalhando naquele outro.. Ou até mesmo continuar vivendo. ):

A você que me pergunta "Por que seria idiota ter orgulho de ser hétero?", eu respondo:

Quais dificuldades ser hétero trouxe a você? São as dificuldades que enfrentamos que exigem que tenhamos orgulho de ser LGBT*.



Por isso precisamos TANTO do orgulho LGBT*. Se não houvessem dificuldades enfrentadas por sermos lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, não precisaríamos ter orgulho. E é por isso que a heterossexualidade não precisa de um movimento de orgulho (:

Liberdade de expressão

CALÍOPE, CALÍOPE, CALÍOPEEEE! VOCÊ NÃO É DEFENSORA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO? FEMINISTA? CONTRA A HOMOFOBIA E O ESCAMBAU?! ENTÃO POR QUE É CONTRA A EXISTÊNCIA DE PÁGINAS QUE PROMOVEM O ORGULHO HÉTERO, MARCHAS EM DEFESA DA FAMÍLIA E DO BONS COSTUMES E QUE POSTAM FOTOS DIZENDO QUE BEIJAR UM TRAVESTI É VERGONHOSO? HEIN? HEIN? RÁÁÁÁ! TE PEGUEEEEI!




Calma.
Liberdade de expressão, sim! Mas vou deixar pro fim. Antes, se liga:
• Feminista, sim. E exatamente por isso denuncio e continuarei denunciando postagens e páginas machistas: o feminismo existe para destruí-lo. Seria incoerente da minha parte berrar que sou feminista enquanto vou lá curtir quem fala que "tem mulher pra casar e mulher pra comer", né?
• Como expliquei acima, o orgulho hétero não é cabível, não tem necessidade nem justificativa para sua existência. E, além disso, ele ainda inferioriza e agride o movimento LGBT*. As minhas denúncias a postagens de orgulho hétero sempre acontecem depois que vejo que a página incita comentários homolesbo-transfóbicos (e bifóbicos, não se esqueçam da bissexualidade!!)
• Sim, exatamente por ser contra a homofobia que tento brigar contra essas páginas. E, ah! É "uma travesti", não "um travesti", ok? (: E não, você não me pegou (e se eu souber que você é você nem vai pegar)

Brincadeirinhas à parte e guardadas as armas, que não quero mortos e feridos, a liberdade de expressão é uma coisa muito mal entendida por aí. Especialmente na internet, que nos dá tantas opções de nos manifestar.

Claro que somos livres para expressar nossas opiniões, mas precisamos definir claramente o que é essa tal opinião.

Na minha opinião, por exemplo, homem sem barba só não é mais feio do que homem cabeludo. Isso é uma opinião. Essa minha opinião não faz com que eu olhe torto os homens sem barba, nem os cabeludos. Minha opinião nunca me impediu de ficar com um homem sem barba que eu gostasse. E minha opinião também não fez eu dizer ao meu namorado - na época -, quando ele raspou a barba, que se ele não a deixasse crescer eu perderia o interesse nele. Eu não disse que ele estava "menos atraente" ou "menos merecedor de estar comigo" só porque estava sem barba. Não disse que ele "não se dava o respeito", que estava agindo "errado", nem que estava "renegando Jesus Cristo, já que ele tem barba."... Eu apenas disse "Credo, que coisa mais feia você sem barba! Mentirinha, é que vou sentir saudade de esfregar meu queixo no seu, barbudo..". Entende? Uma opinião é apenas um ponto de vista, ela é um percepção e não fere ninguém. Não interfere nem tenta interferir no comportamento de ninguém.

Assim, a liberdade de expressão seria a liberdade de expressar-se como é. E não como você acha que alguém deveria ser ou não.

Páginas como as que eu costumo detestar e discursos com os quais eu costumo brigar são sempre aqueles que tentam determinar a expressão dos outros. O feminismo é isso, a luta LGBT* é isso: não queremos que nos digam o que é certo, especialmente se o certo for não ser nós mesmos!

Você pode ser hétero e gostar disso, só não há uma necessidade, em nenhum contexto social ou filosófico, pra você gritar seu orgulho, já que gritar o orgulho seria reivindicar aceitação e a heterossexualidade tem sido muito bem aceita, obrigada.

Você não pode é querer dizer que aquilo com o que você não concorda (pela sua opinião) é ERRADO e INACEITÁVEL.

Sua liberdade de expressão acaba no momento em que ela invade o meu livre expressar. E vice-versa.


Assim, é em resposta à opressão que se cria o orgulho LGBT*. E nesse mesmo tipo de resposta, criei esse post. Não só pra responder as perguntas que vieram me fazendo nas últimas semanas, mas pra responder... Bem, pra responder a isso tudo.

Obrigada a todos pela leitura! Garanta sua liberdade de expressão deixando um comentário (hahaha)

Sinta-se convidado a participar das reuniões do Coletivo Mandala, onde discutimos questões de gênero, identidade de gênero, orientação sexual e esses mamilos polêmicos todos! Junte-se a nós independente da sua expressão (hétero, homo, bi, trans, cis, assex, demi, arromântico [...]).

Para ter informações das reuniões do Mandala, curta a Fanpage e adicione às suas listas de interesse! Clique aqui que eu te levo lá!
(no primeiro semestre elas aconteciam às quartas-feiras, às 18h na sala do Movimento Estudantil)